Médicos acuados por falta de gestão e infraestrutura

A situação dos médicos que fazem o exercício da medicina na Grande Vitória chegou ao limite do tolerável. Não são poucos os profissionais que sofrem agressões e ameaças durante os plantões nas Unidades de Pronto-Atendimento. Pacientes revoltados com a demora quebram portões e invadem os consultórios exigindo atendimento imediato. 

Para garantir a própria segurança, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde precisam, muitas vezes, buscar refúgio se trancando em salas ou dentro dos próprios carros. Em muitos casos, a Polícia Militar é acionada para conter os ânimos da população e há relatos de profissionais coagidos por pacientes armados. E um agravante: essa situação não é um fato isolado. 

De acordo com registros do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes), uma média de cinco denúncias anônimas de violência contra médicos é registrada por dia e não há dúvidas de que os gestores públicos devem ser responsabilizados pelas ameaças e agressões contra profissionais de saúde. Por falta de gestão e infraestrutura, não há segurança, material humano, equipamentos e salários dignos.

Assim, uma classe inteira se vê ignorada pelo gestor no âmbito municipal - e não são poucos os profissionais que desistem de trabalhar nessas unidades -, deixando áreas desassistidas. Uma situação que já passou do tolerável. É fato notório que as prefeituras não oferecem infraestrutura e condições de trabalho para os profissionais, que atuam em sobrecarga e não conseguem oferecer um serviço de qualidade à população. 

Em alguns casos, a espera pelo atendimento pode chegar a 13 horas, o que revolta os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). A violência por parte do usuário do serviço público acaba encontrando apenas o médico e demais profissionais de saúde pela frente. E o gestor, responsável por esse desrespeito praticado diariamente contra a população? Simplesmente tem saído impune. Uma lástima!

Data: 03/08/2016

Autor/Fonte: Advogado Dr. Luiz Télvio Valim Coordenador do departamento jurídico do Simes