Que venha a ética e a competência

É bem verdade que governar um país não deve ser uma tarefa pouco complexa. Entretanto, a história recente do Brasil vem nos mostrando alguns exemplos de como os nossos políticos conseguem fazer tanto estrago na condução do país. Corrupção, má administração da coisa pública, desperdício de recursos, crimes contra o patrimônio público são só algumas das mazelas que fazem parte do “modelo de negócios” da política brasileira, somente agora exposto em carne viva ao conjunto da população, com provas consistentes.

Sob este cenário, o governo do PT foi afastado do poder no último dia 12 de maio, após decisão do Senado Federal, que aceitou a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Roussef. O partido e seus aliados esbravejaram, alegaram não serem os “bandidos”, mas a voz das ruas falou mais alto.

A presidente e seus aliados repetiram como um mantra, ao longo de todo o processo de impedimento, que os atos pelos quais estariam sendo acusados foram igualmente praticados por outros governos, sem que fossem considerados crimes antes. Ora, o que o PT parece não querer entender é que os reais motivos do impeachment foram, de fato, outros. O partido de Lula e Dilma entrou no governo federal com um discurso de que era o único capaz de fazer as coisas funcionarem de forma diferente, com ética, respeito à coisa pública e à sociedade, ao contrário do que até então os demais políticos dos outros partidos haviam feito. Proclamaram-se os bastiões da moral e da ética, mas decepcionaram igualmente. O processo do Mensalão mostrou que as práticas do partido eram as mesmas da velha política. Em seguida, as coisas ficaram ainda pior com a Operação Lava-Jato, que vem revelando o maior esquema de corrupção no âmbito do governo federal e que tem como chefe o PT e seus aliados.

Em relação ao setor da saúde, especificamente – que é o que mais nos interessa como instituição corporativa – os 13 anos de governo do PT foram um verdadeiro desastre, culminando com o tal programa “Mais Médicos”, que permitiu a entrada de médicos estrangeiros para o exercício da profissão no país sem a devida validação de seus conhecimentos profissionais. Sem falar no desrespeito ao investimento mínimo para a saúde brasileira, que se encontra há anos completamente sucateada e subfinanciada pelo poder público.

Não há qualquer certeza de que o próximo presidente do Brasil vá conseguir resolver, até 2018, os problemas deixados pela presidente afastada. Mas é certo que, daqui para frente, quem ocupar esse cargo terá que ficar muito mais atento às ações de seu governo e de seus colaboradores, pois a sociedade está alerta e em vigília constante para garantir que o dinheiro de seus impostos não seja mais tomado de assalto por negociatas entre políticos e empreiteiras em benefício de uns poucos; ou que a economia do país entre novamente em queda livre, causando desemprego em massas e redução do poder aquisitivo da população.

O que se quer, ou melhor, o que se exige a partir de agora é muito simples: um governo de pessoas realmente éticas, honestas e tecnicamente capazes de administrar um país continental como o Brasil com eficiência e competência. A bandeira ideológica não importa mais. O que realmente importa são os resultados para quem paga tudo isso: o povo.

Data: 16/05/2016

Autor/Fonte: Carlos Alberto Gomes dos Santos - presidente da Ames